Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis | Diogo Santos (CMSP – 23.ª Edição)


Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis | Diogo Santos (CMSP - 23.ª Edição)

O Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis celebra-se desde 2007 anualmente no dia oito de novembro e surgiu numa junção de forças entre a Comissão Europeia e a Associação Europeia de Chefs no sentido de alertar a população para a importância de uma alimentação equilibrada e saudável.

A alimentação é dos únicos fatores externos ao ser humano ao longo de todo o ciclo de vida, pelo que todos os esforços devem ser realizados por todos os atores da sociedade para que esta seja economicamente justa, equilibrada, saudável, sustentável e variada e ainda que se promovam os alimentos locais e sazonais.

Em Portugal, apesar de uma tendência decrescente das prevalências de excesso de peso e obesidade nas crianças, uma em cada três crianças vive com excesso de peso ou obesidade sendo que os dados mais recentes relativos a 2019 não permitem aferir qual será o impacto da pandemia por COVID-19, nomeadamente os confinamentos e o encerramento dos estabelecimentos de ensino.

Quanto aos fatores de risco para a perda de anos de vida saudável, em 2019 os hábitos alimentares inadequados foram o quinto fator de risco com mais relevância em Portugal, de acordo com o Global Burden of Disease (GBD). Ainda relativamente aos dados de 2019 do GBD é importante ressalvar que nos fatores de risco que mais contribuíram para a perda de anos de vida saudável se encontram a glicose plasmática elevada, a hipertensão arterial, o consumo de álcool e o colesterol LDL elevado que estão intimamente relacionados com os hábitos alimentares.

A Balança Alimentar Portuguesa 2016-2020, que avalia a disponibilidade alimentar em Portugal, reporta que cada habitante tem por dia disponíveis, em média, 4.075 kilocalorias. Tendo por referência a Roda dos Alimentos, os grupos de alimentos com maiores discrepâncias são a “Carne, pescado e ovos” por excesso e “Frutos” e os “Hortícolas” por defeito. O Índice de Adesão à Dieta Mediterrânica encontra-se em 2020 semelhante ao apurado em 2012, um dos anos de crise económica em Portugal.

Aliados à discussão e reflexão sobre a alimentação e cozinha saudáveis devem incluir-se temáticas mais recentes como o desperdício alimentar, os ambientes obesogénicos digitais e não-digitais e a sustentabilidade alimentar. A integração de temáticas mais recentes no âmbito da alimentação saudável bem como com outras áreas da saúde, da academia e da sociedade civil será benéfico para a promoção da alimentação saudável e por conseguinte será benéfico para a promoção da saúde e prevenção da doença.

Atualmente é necessário e relevante uma aposta estratégica na educação alimentar e na reeducação alimentar que acompanhe a taxação sobre as bebidas açucaradas, as restrições à publicidade a menores de 16 anos e inovações na rotulagem alimentar.

Referências:

https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/MEMO_07_442
https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/activeapp2020/wp-content/uploads/2020/11/Relato%CC%81rio-PNPAS-2020.pdf
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=437140067&PUBLICACOESmodo=2&xlang=pt
https://www.sns.gov.pt/noticias/2019/10/21/alimentos-restricoes-a-publicidade/

Diogo Santos

Curso de Mestrado em Saúde Pública - 23.ª Edição

dfo.santos@ensp.unl.pt

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