Dia Internacional da Igualdade Feminina | Patrícia Cardoso (CEAH - 48.º Edição)

A igualdade entre géneros tem sido uma alavanca estimuladora de tertúlias colossais, onde Homens e Mulheres se debatem na busca de diferenças existentes entre si. A forma como reagimos, o modo como nos posicionamos em debate, quer física, quer emocionalmente, revelam muito de nós, e, sobretudo, reportam diferenças associadas aos géneros masculino e feminino. Diz-se, por aí, que os Homens não precisam de provar grande coisa, pois alcançam, com facilidade, cargos de gestão de topo devido a características inatas, tais como: a espontaneidade, a simplicidade e/ou o raciocínio prático e racional. Acrescenta-se, porém, que são as Mulheres que perduram neste tipo de lugares, pois são metódicas, organizadas e revelam uma capacidade de empenho invejável. Na fotografia atual do Setor Público, constata-se que, em 41 Hospitais do SNS, 70,7% dos Presidentes do Conselho de Administração são Homens, ao passo que 53,7% das Direções Clínicas e 61% dos Enfermeiros Diretores são Mulheres.

Ao longo dos tempos, as Mulheres foram escrevendo a sua história como pilares fundamentais do contexto familiar. Se, culturalmente, as Mulheres se dedicaram à arte do cuidar, sedimentando laços familiares fulcrais e cuidando de gerações que, perpetuamente, consolidaram os seus valores, em seio familiar, os Homens foram máquinas de produção económico-familiar, que consumaram os seus méritos profissionais em valor financeiro, sustentando, assim, os agregados familiares de relevante dimensão. Todavia, a história foi mudando e os géneros foram-se diluindo nas suas distintas funções.

O recrutamento para cargos de direção tem conquistado valores de seriedade inegáveis, em grande parte, associado ao comprovado mérito profissional e formação profissional que os candidatos possuem. A igualdade de género em cargos de elevada importância, como, por exemplo, na gestão hospitalar, ainda reporta alguma fragilidade, contudo, conquistas têm sido feitas num caminho que se descreve, cada vez mais, consistente. É imprescindível que a evidência curricular de formação específica em gestão em saúde se expresse nos profissionais selecionados para estes cargos. Já a experiência profissional adequada deve ser ponderada, sob pena de não perpetuarmos o erro de serem sempre os mesmos protagonistas a ocuparem os lugares de destaque, ao passo que os sem palco permanecem ad aeternum na sombra de um mérito não reconhecido. A formação que possuímos, o desempenho que demonstramos, os valores de integridade moral que nos regem na tomada de decisões, espelham muito do valor e alcance de um profissional, independentemente do género que possui. Mulheres e Homens e Homens e Mulheres demonstram, cada vez mais, características peculiares, fundamentais, numa equipa de gestão, que se quer heterogénea e distinta na tomada de decisão racional e fundamentada em indicadores de desempenho. Tal como acredito que o segredo do êxito se situa entre o detalhe e a partilha, mesmo que distinta, entre profissionais, também defendo que a dominância não nutre e a diversidade sempre enriquece.

 

Patrícia Cardoso

Curso de Especialização em Administração Hospitalar (48.ª Edição)

ap.cardoso@ensp.unl.pt

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