Dia Internacional do Farmacêutico | Rute Miranda (CEAH - 48.ª Edição)

Comemora-se hoje, a 25 de setembro, o Dia Internacional do Farmacêutico, o qual promove a profissão farmacêutica no mundo, e que conta com séculos de existência, sendo os farmacêuticos designados inicialmente por boticários. O primeiro diploma sobre a atividade farmacêutica é a Carta Régia dos Boticários do Reino, de 1449, de D. Afonso V.

Em Portugal, o dia 26 de setembro foi acolhido pela Ordem dos Farmacêuticos como o Dia Nacional do Farmacêutico em homenagem a São Cosme e São Damião, os padroeiros dos farmacêuticos.

O farmacêutico é considerado um profissional de saúde altamente especializado no medicamento, que desempenha um papel de destaque em todas as fases do seu circuito, desde a sua produção, dispensa e respetiva toma pelo cidadão. Intervém ainda enquanto especialista em análises clínicas, proporcionando o acesso a resultados laboratoriais de qualidade, assim como à sua validação biopatológica e respetiva interpretação. Encontramos assim farmacêuticos que exercem a sua atividade em diversas áreas, onde se destacam as áreas clássicas, nomeadamente: Indústria Farmacêutica; Farmácia Comunitária; Farmácia Hospitalar; Análises Clínicas.

Ao longo dos anos, com a evolução da profissão, a intervenção farmacêutica foi sendo alargada a diferentes áreas no Sistema de Saúde, como por exemplo, na Investigação Científica, Dispositivos Médicos, Distribuição Grossista, Análises Toxicológicas e Bromatológicas, Administração Pública e do Ensino Farmacêutico.

Nos últimos anos, tem-se assistido ao aumento da sua intervenção em áreas assistenciais e na prestação de cuidados de saúde diferenciados, em articulação com os diferentes níveis de cuidados de saúde e com os restantes profissionais de saúde, tendo como objetivo major a intervenção de saúde centrada no cidadão e nas suas necessidades. Sendo as Farmácias comunitárias o primeiro local onde os portugueses se deslocam quando têm um problema de saúde, habitualmente são os Farmacêuticos Comunitários o primeiro ponto de contato entre o cidadão e o sistema de saúde. De entre as várias atividades desenvolvidas na farmácia comunitária, destaca-se a implementação de programas de cuidados farmacêuticos, de que são exemplos a promoção da adesão à terapêutica, cessação tabágica, preparação individualizada de medicamentos, bem como a promoção da literacia em saúde e do uso responsável do medicamento.

Face à crescente inovação terapêutica a que hoje se assiste, os cidadãos podem ter acesso a medicamentos de elevada eficácia terapêutica, os quais não são contudo desprovidos de efeitos secundários, devendo ser alvo de monitorização.

Na grande maioria tratam-se de medicamentos de uso exclusivo hospitalar, dispensados no ambulatório hospitalar, área em que a consulta farmacêutica tem vindo a conquistar o reconhecimento do seu valioso contributo pelos utentes, médicos e enfermeiros. Abrange áreas terapêuticas onde o gasto com medicamentos e os encargos para o Serviço Nacional de Saúde são muito elevados, como os novos fármacos destinados à quimioterapia oral no tratamento da doença oncológica, esclerose múltipla, VIH, hepatite C, doenças autoimunes (artrite reumatóide, doença de Chron, psoríase, entre outros), fibrose pulmonar idiopática, entre outras.

A par do trabalho que é desenvolvido na promoção à adesão da terapêutica, a gestão da deteção de interações medicamentosas graves e reações adversas, são facilmente ultrapassadas dada a proximidade do farmacêutico hospitalar com a restante equipa clínica, garantindo deste modo, maior segurança na utilização dos medicamentos, muitos dos quais exigem uma farmacovigilância robusta.

Considerando a importância da garantia da segurança do doente e a sustentabilidade do sistema de saúde destaca-se, ainda, a intervenção na área da Farmacoepidemiologia, em que o farmacêutico aporta conhecimento na implementação de metodologias de avaliação do impacto da utilização de medicamentos, e da Farmacoeconomia, concretamente na aplicação de estudos de avaliação económica de medicamentos, com o intuito de estabelecer em concreto o valor terapêutico acrescentado e custo-efetividade.

Com uma visão de futuro, os Farmacêuticos estão preparados para os diversos desafios apostando diariamente no desenvolvimento profissional e contínuo, acompanhando os progressos técnico-científicos exigidos, que permitem responder às necessidades dos cidadãos, dos profissionais de saúde com quem se relacionam, do Serviço Nacional de Saúde, e do país em geral.

Também em situações de crise, da qual é exemplo a atual pandemia pelo vírus SARS CoV2, mostraram a sua capacidade para atuar com prontidão e eficácia face à alteração da atividade assistencial com que se viram confrontados. Alinhados num comportamento comum de resiliência e inovação e num ambiente de colaboração, os farmacêuticos hospitalares e comunitários garantiram os canais de comunicação internos e externos necessários que proporcionaram uma resposta de excelência na criação de circuitos seguros para a dispensa de medicamentos em regimes de proximidade, incluindo a dispensa ao domicílio do doente. Asseguraram assim a continuidade dos tratamentos pelos utentes de qualquer região do país, evitando a sua deslocação aos serviços de saúde, mantendo o acompanhamento assistencial por teleconsulta. Também a formulação de manipulados à escala industrial, de que é exemplo a preparação de soluções de base alcoólica para a antissépsia das mãos, foi outra das muitas atividades, em que os farmacêuticos se viram envolvidos para auxílio do combate à pandemia.

A vasta abrangência na aplicação do conhecimento farmacêutico não se esgota. O aumento da pressão económica sobre os sistemas de saúde, é um dos desafios que crescentemente os profissionais de saúde enfrentam, pelo que naturalmente os farmacêuticos não são exceção. Para enfrentar as dificuldades, devem cooperar para o desenvolvimento de novos serviços geradores de valor que promovam a eficiência dos sistemas de saúde e que contribuam para a sua sustentabilidade.

Com o aumento significativo da esperança média de vida, em grande parte pelo contributo dos medicamentos e cuidados de saúde mais evoluídos, advém a inevitabilidade de viver com múltiplas doenças crónicas. O reforço do papel dos farmacêuticos na promoção à adesão à terapêutica ou na gestão estruturada de doentes crónicos podem ser importantes contributos para que os cidadãos possam viver com mais qualidade e para o fortalecimento dos sistemas de saúde.

O farmacêutico integrado nos sistemas de cuidados de saúde centrados no cidadão, contribui para melhorar a saúde e qualidade de vida das populações, intervindo na farmacoterapia efetiva, segura e eficaz, garantindo uma assistência integral e contínua. Assume igualmente um papel privilegiado na monitorização dos resultados em saúde, colaborando na medição de outcomes, nomeadamente nos Patient Reported Outcomes (PRO).

Comum a todos os países, é termos a certeza que podemos contar com farmacêuticos disponíveis para fazerem mais pela saúde dos cidadãos e pela eficiência dos sistemas de saúde.


Um bem haja a todos os farmacêuticos!

 

Rute Miranda

Curso de Especialização em Administração Hospitalar - 48.ª Edição

ri.miranda@ensp.unl.pt

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