Dia Mundial da Alimentação | Rita Cunha (CEAH - 49.ª Edição)

No dia 16 de outubro de 1945, no Canadá, foi fundada a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization) com a principal missão de elevar os níveis mundiais de nutrição. Desde a sua criação, a FAO tem lutado para combater a pobreza e a fome, promovendo o desenvolvimento e aumento da produtividade agrícola para uma melhor alimentação mantendo o acesso permanente a todas as pessoas e garantir a segurança alimentar.

Com o intuito de assinalar a sua fundação celebra-se a 16 de outubro o Dia Mundial da Alimentação desde o ano 1981 e em mais de 150 países, onde se foca a importância da prática de uma alimentação saudável e que seja de qualidade e acessível a toda a população, assim como nos problemas que estão relacionados como a pobreza, a fome e a desnutrição.

É do conhecimento geral que os primeiros meses no ventre da mãe e os primeiros anos de vida de uma criança vão determinar, em parte, a sua carga de doença ao longo da sua vida adulta. 

Uma má nutrição desde o início da vida fetal pode ter um impacto negativo e irreversível na saúde da criança no futuro, tanto a nível cognitivo, como no aumento da predisposição para doenças crónicas não transmissíveis, como a obesidade, a diabetes, a hipertensão, as doenças cardiovasculares e o cancro. 

Em Portugal a prevalência de excesso de peso atinge 29,6% das crianças com idades dos 6 aos 9 anos e 32,6% das crianças com idades compreendidas entre 1 e 3 anos. 

Sabendo que a escola, os berçários, as creches e os jardins-de-infância são o local onde grande parte das crianças portuguesas passam a maioria do seu dia, são portanto locais estratégicos para a promoção de hábitos de vida saudáveis desempenhando um papel crucial na prevenção.

Contudo, é na família que a criança procura o exemplo, a referência, os hábitos e as regras, portanto cabe aos familiares transmitirem bons hábitos alimentares e de atividade física. Para que todos os intervenientes consigam transmitir uma informação correta e adequada e consequentemente os melhores exemplos, é importante investir na área da promoção e desenvolvimento da literacia da alimentação e da nutrição na população portuguesa. 

Modificar a oferta alimentar onde as pessoas escolhem e compram alimentos, através da modificação da disponibilidade de alimentos em certos espaços físicos e melhorar a qualidade e acessibilidade da informação disponível ao consumidor para que seja possível capacitar os cidadãos para escolhas alimentares saudáveis são grandes desafios que necessitam de ser combatidos. 

Atualmente os meios de comunicação influenciam muito o consumo de alimentos com estratégias de marketing capazes de manipular e induzir em erro, conduzindo o consumidor à prática de comportamentos e ao uso de alimentos que considera corretos e saudáveis, optando por não se informar, pesquisar e recorrer a profissionais de saúde específicos da área.

É importante realçar que um dos pilares fundamentais para uma alimentação saudável é a variedade e por isso a alimentação não deve ser restritiva ou monótona. A alimentação, entre muitas outras funções: Assegura a sobrevivência do ser humano; Fornece energia e nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo; Contribui para a manutenção do nosso estado de saúde físico e mental; Desempenha um papel fundamental na prevenção de certas doenças (ex.: obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, certos tipo de cancro, etc.); Contribui para o adequado crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes.

Nos dias de hoje, os hábitos alimentares inadequados são um dos principais determinantes da perda de anos de vida saudável pelos portugueses. Em Portugal, 86% da carga da doença corresponde a doenças crónicas e mais de 50% dos adultos portugueses apresentam excesso de peso, traduzindo-se esta prevalência em cerca de 1 milhão de obesos e 3,5 milhões de pré-obesos. Isto significa que cerca de 300.000 anos de vida saudável poderiam ser poupados se os portugueses melhorassem os seus hábitos alimentares.

Ao celebrarmos o dia de hoje, é impensável não falar no desperdício alimentar que ocorre hoje em dia e que é um dos principais problemas a nível económico, ambiental e social e o padrão alimentar da Dieta Mediterrânica é uma das alternativas para a promoção de uma alimentação mais saudável e sustentável. 

Repensar no consumo e na reutilização de alimentos para novas confeções culinárias constituem alguns dos contributos individuais que cada um pode ter na sua própria casa. Pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença contribuindo para a proteção do planeta e das gerações futuras. 

Desta forma, surge o conceito de sustentabilidade alimentar onde os nutricionistas e os restantes profissionais da área da alimentação e da nutrição, assumem um papel preponderante na reflexão, discussão e decisão numa alimentação que seja sustentável, ou seja, que permita responder às necessidades do presente de forma adequada, tendo em conta as nossas necessidades nutricionais, simultaneamente com a perseveração do planeta para que novas gerações possam ter a oportunidade de usufruir equitativamente deste único e maravilhoso planeta.

Rita Cunha

Curso de Especialização em Administração Hospitalar - 49.ª Edição

rcm.cunha@ensp.unl.pt

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