Dia Mundial da Segurança do Doente | Leila Sales (CEAH - 48.ª Edição)

A 17 de Setembro celebramos um dos dias mais marcantes no contexto da saúde – Dia Mundial da Segurança do Doente

Reconhecendo a segurança dos doentes como uma prioridade de saúde global, todos os 194 Estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), aprovaram em 2019 a instituição do Dia Mundial da Segurança do Doente (Resolução WHA 72.6). Esta iniciativa pretendeu dar prioridade à segurança dos doentes como um elemento essencial na construção, conceção, funcionamento e avaliação do desempenho de todos os sistemas de cuidados de saúde, tendo como principais objetivos: aumentar a sensibilização e o envolvimento dos cidadãos, reforçar a compreensão sobre esta temática, e estimular a solidariedade e a ação global para promover a segurança dos doentes.

Quando pensamos na prestação de cuidados de saúde de qualidade, o primeiro passo é garantir a segurança em todos os momentos e não causar danos aos doentes. Os profissionais de saúde têm bem presente na sua prática e conduta deontológica esta preocupação, assim como as organizações de saúde na sua missão, mas no entanto, todos os dias, milhares de doentes em todo o mundo sofrem danos evitáveis enquanto recebem cuidados de saúde.

Nos últimos 20 anos, vários estudos em diferentes países têm demostrado que 1 em cada 10 doentes hospitalizados e até 4 em cada 10 doentes nos cuidados de saúde primários e em ambulatório sofrem danos no decorrer da prestação de cuidados de saúde, sendo pelo menos 50% destes evitáveis, por outro lado sabe-se também que os danos causados aos doentes por eventos adversos constituem uma das principais causas de mortalidade e incapacidade em todo o mundo, e que 15% das despesas hospitalares podem ser atribuídas a falhas na segurança do doente.

As necessidades, os contextos e a prestação de cuidados de saúde estão a mudar drasticamente a uma velocidade sem precedentes, levantando vários e novos desafios diários para a Segurança do Doente nas organizações de saúde, nas instituições de ensino e para os investigadores nesta área.

Em 2020, o ano marcado pela Pandemia do SARS-Cov-2 (Doença COVID-19) que atingiu praticamente todos os países, com milhões de pessoas infetadas e um número alarmante de mortes onde se incluem também os profissionais de saúde, a OMS escolheu como tema “A Segurança do Profissional de Saúde: Uma prioridade para a Segurança do Doente”, pretendendo reforçar a importância da segurança dos profissionais de saúde para a segurança do doente, reconhecendo que um ambiente de trabalho incerto, em rápida mudança e stressante significa também uma maior probabilidade de ocorrência de erros e incidentes, aumentando consequentemente os danos evitáveis.

Paralelamente pretendeu-se mobilizar os cidadãos, envolver os doentes, os profissionais de saúde, os decisores políticos, os académicos, os investigadores, as associações de doentes e a indústria a intervirem e a comprometerem-se com a segurança na prestação dos cuidados de saúde.

A pandemia revelou os enormes desafios e riscos que os profissionais de saúde enfrentam a nível mundial, incluindo infeções adquiridas no contexto laboral, os danos psicológicos e emocionais e até mesmo a morte. No recente relatório sobre a COVID-19 publicado pelo International Council of Nurses (ICN) estima-se que cerca de 3.000 000 de profissionais de saúde foram infetados no decorrer da sua atividade laboral, é também evidenciado um aumento contínuo e catastrófico do número de mortes e taxas de infeção de enfermeiros devido à COVID-19 relacionado com questões como a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s), testes e formação em prevenção e controlo de infeção inadequados, para além de problemas relacionados com atos de violência e discriminação contra enfermeiros, o não reconhecimento da COVID-19 como uma doença profissional e a falta de apoio à saúde mental dos mesmos.

Nunca se falou tanto em segurança, nunca se temeu tanto em contexto social e laboral, algo que tínhamos como adquirido foi ameaçado e emergiram fragilidades já existentes na área da saúde, assim como o reconhecimento e valorização de outras, a segurança do doente e as medidas de gestão do risco foram sem dúvida encaradas com outra responsabilidade por todos os stakeholders. Por outro lado confirmaram-se algumas verdades bem conhecidas no contexto da saúde, mas nem sempre valorizadas, como a escassez de profissionais, falta de recursos humanos nas instituições, subvalorização das competências de alguns grupos profissionais e os baixos salários em oposição à enorme responsabilidade e risco profissional.

Cuidar e valorizar os profissionais de saúde é um primeiro passo para garantir a segurança dos doentes. São necessárias políticas claras, capacidade de liderança, melhorias de segurança nas práticas profissionais, profissionais de saúde qualificados e envolvimento efetivo dos doentes nos seus cuidados, só desta forma poderemos melhorar e garantir de forma sustentável a Segurança dos Doentes que é a Segurança de todos nós.

Leila Sales

Curso de Especialização em Administração Hospitalar - 48.ª Edição

lm.sales@ensp.unl.pt

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