Dia Mundial da Visão | Maria Elisabete Coelho (PDSP - 10.ª Edição)

Hoje, 8 de outubro, comemora-se o Dia Mundial da Visão. Trata-se de uma iniciativa global da Organização Mundial de Saúde e da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) que se celebra anualmente, na segunda quinta feira de outubro, e que pretende alertar consciências para os problemas visuais que originam a cegueira e a deficiência visual e que podem ser prevenidos e ou evitados.

Este ano é enfatizado o facto de 75% da deficiência visual é evitável e que cerca de 1,2 biliões de pessoas precisam de alguma forma de compensação óptica para ver melhor.

Globalmente, cerca de 1,3 biliões de pessoas padecem de algum tipo de distúrbio de visão. Esta estimativa aumenta quando é considerada a perda de visão próxima em adultos com mais de 40 anos. Estima-se que 36 milhões de pessoas em todo o mundo sejam cegas, 216,6 milhões apresentem deficiência visual moderada a severa (DVMS) e 188,5 milhões uma deficiência visual leve.

De entre estas condições de cegueira e/ou DVMS importa distinguir aquelas que são ou não evitáveis e/ou que podem ser prevenidas. O termo evitável inclui condições oculares que podem ser tratadas e condições que podem ser evitadas.

As causas mais comuns de Cegueira e ou DVSM evitável são várias, sendo que o erro refrativo não corrigido e a Catarata as mais prevalentes, seguindo-se da Degeneração Macular Relacionada com a Idade e o Glaucoma.

O impacto económico estimado da cegueira e da DVMS no continente Europeu é de 31,09 mil milhões de euros, o que corresponde a 0,22% do valor total do Produto Interno Bruto da União Europeia (EU28).

A prevalência do erro refrativo, em particular a miopia, está a aumentar a uma taxa elevada, particularmente na região Ásia-Pacífico, O custo financeiro devido ao erro refrativo não corrigido é superior a 227,36 biliões de dólares.

O atual conceito de prevenção da cegueira foi ampliado, no sentido de dar particular importância à preservação da visão, com uma estreita relação com a qualidade de vida das pessoas.

O aumento da deficiência visual, nas pessoas idosas, é um problema socioeconómico em todas as sociedades, em particular nos países em vias de desenvolvimento ou de baixo e médio rendimento, limitando a contribuição económica e social dos indivíduos no âmbito familiar, da comunidade e nacional.

A prevalência da cegueira em idosos é de cerca de 4% em regiões de baixo rendimento enquanto, que em países de alto rendimento é de cerca de 0,5%.

Sem precedente, o ano de 2020, ficará gravado como o ano em que a pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, alterou o funcionamento das sociedades contemporâneas, criando uma maior dimensão aos problemas já existentes das populações.

Richard Horton, num comentário recentemente publicado no The Lancet, alerta para o problema que é a abordagem pandémica da COVID-19. Uma bordagem sindémica da doença é necessária.

Abordar a COVID-19 significa abordar a hipertensão, a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares, a doença respiratória crónica e o cancro, a visão, e o trabalho para a eliminação da cegueira evitável tem de entrar nesta abordagem.

A Covid-19, no que se refere à visão, e à semelhança de outras áreas em Portugal, veio paralisar e adiar importantes programas de prevenção visual como é o rastreio da retinopatia diabética ou o rastreio da saúde visual infantil. Aos programas de prevenção interrompidos, juntam-se os tratamentos e cirurgias programados adiados de condições que contribuem para a cegueira e a deficiência visual.

Os reais impactos ainda não estão aferidos, mas certamente existirão e deixarão as sociedades, mesmo as mais ricas, ainda mais desiguais e mais vulneráveis, com uma dificuldade para recuperar seu desempenho anterior.

Lembrar este dia, neste ano particular, é lembrar que temos todos que trabalhar em conjunto, profissionais da saúde, assistentes sociais, ONG’s, investigadores e governos para eliminar todas as causa de cegueira evitáveis para as quais a ciência e tecnologia têm resposta.

Neste dia, enfatizamos a importância do trabalho coletivo, no desiderato de eliminar a cegueira evitável.

Maria Elisabete Coelho

Programa de Doutoramento em Saúde Pública - 10.ª Edição

me.coelho@ensp.unl.pt

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