Dia Mundial de Luta Contra a SIDA | Nila Badracim (CEAH - 48.ª Edição)

A Assembleia Geral da Nações Unidas e a Organização Mundial de Saúde instituíram há 32 anos o dia 1 de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a SIDA.

No ano de 1981 foram diagnosticados os primeiros casos nos Estados Unidos da América (EUA) e o Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) estabeleceu o termo Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Em Portugal, o primeiro caso de SIDA surgiu em 1983.

O balanço não é positivo três décadas após o aparecimento vírus da imunodeficiência humana (VIH). Os dados indicam a existência de aproximadamente 37 milhões de pessoas que vivem com o vírus, sendo 70% delas em África. Desde o início da epidemia, mais de 78 milhões de pessoas em todo o mundo foram infetadas com VIH e 39 milhões morreram com doenças relacionadas com a SIDA. O programa ONUSIDA pretende erradicar o vírus até 2030, definindo para 2020 as metas 90-90-90: 90% das pessoas que vivem com a infeção saibam que estão infetadas; 90% das pessoas que sabem que estão infetadas estejam em tratamento; 90% das pessoas que estão em tratamento tenham a infeção controlada e para 2030, as metas 95-95-95, como objetivo de atingir 95% dos mesmos indicadores.

Hoje em dia viver com o VIH é muito diferente do que foi no passado uma vez que o diagnóstico precoce e a evolução dos tratamentos (com menor toxicidade e maior eficácia) resultam em maior adesão terapêutica, tornando a esperança média de vida equivalente à população em geral. No entanto, apesar dos excelentes avanços na abordagem, seguimento e tratamento, bem como na transformação da doença mortal em crónica, a discriminação e estigmatização continuam presentes. A doença ficou inicialmente conhecida nos EUA como a doença dos 4 H’s (viciados em heroína, hemofílicos, homossexuais e imigrantes haitianos). O esteréotipo continua presente no contexto social, laboral e familiar, existindo relutância na realização do teste VIH devido ao receio do resultado, no entanto a realização do teste é crucial para conhecimento do estado serológico, permitindo a instituição precoce do tratamento antirretroviral mais adequado. O objetivo principal é controlar a infeção através da redução e/ou eliminação da carga viral, conduzindo a uma maior qualidade e esperança de vida, reduzindo em simultâneo  o risco de transmissão e a identificação de novos casos.

Devemos divulgar a informação correta, dirigida a toda a população, fundamentalmente aos jovens e às populações mais vulneráveis, envolvendo toda a sociedade. Deve-se investir na capacitação para a tomada de decisões, na disponibilização de meios de informação e prevenção (preservativos), no acesso à profilaxia pré e pós-exposição, bem como nos direitos de equidade e cidadania. Os profissionais de saúde envolvidos (ex:médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, entre outros) devem atualizar os seus conhecimentos e investir na sua formação contínua de forma a prestar os melhores cuidados de saúde.

A temática da infeção VIH/SIDA deve continuar presente na agenda política, com definição de responsabilidades e metas, sublinhado essencialmente o respeito pelos direitos humanos. É fulcral a tomada de consciência de como a infeção por VIH afeta a vida das pessoas para que seja possível eliminar o estigma, a discriminação e melhorar a qualidade de vida destes doentes. TODOS devemos estar informados que um abraço não transmite o VIH!

Nila Badracim

Curso de Especialização em Administração Hospitalar - 48,ª Edição

n.badracim@ensp.unl.pt

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